terça-feira, 23 de abril de 2013

O que a fisiologia tem a ver com a reciclagem e com o teatro


Nada. Tudo. Tudo a ver comigo, isso sim. Isso e muitas coisas mais....Vira e mexe me perguntam qual é o meu problema, por que eu não consigo focar em uma coisa só, por que eu estou sempre “inventando moda”. Já tentei buscar explicação em tudo quanto é lugar, terapia, búzios, cara e coroa, I Ching, filosofia, matemática, mãe Diná e a única resposta que consigo dar para essa pergunta, parafraseando o meu amigo Chicó, é: Não, sei, só sei que foi assim. Foi assim que eu nasci, sabe? Essas coisas meio de alma, meio de genes, meio de construção social... Ás vezes queria muito que fosse diferente. Queria muito conseguir contar uma história linear, um currículo equilibrado e exemplar: Formada em X, mestrado em 2x, doutorado em 3x e pós-doutorado em 4x e trabalhando em 5x. Juro que eu queria. Mas acredito que se eu for escrever minhas atividades, acabarão por me internar devido à crise aguda de identidade. Formei em Biologia, hoje (tento) estou para terminar um mestrado em Fisiologia, atualmente trabalho com reciclagem, faço teatro nas horas vagas, não posso ver um tambor que a mão me coça pra batucar, já arrisquei cantar, pintar, dançar, tocar. Gastei boa parte de minhas economias em uma máquina fotográfica bacana, estou namorando um curso de cinema, já pensei em fazer uma segunda graduação em engenharia....e....Estou prestes a enlouquecer. Porque isso é coisa de doido, coisa de gente que não tem foco, coisa de gente que não vai ganhar dinheiro nunquinha na vida. Alguém me dá uma ritalina, por favor? Rivotril? Estou comprando 10 quilos de foco, no atacado, faz em 10 vezes no cartão? Mas às vezes sabe que eu gosto? Gosto porque adoro aprender, adoro começar do zero, apesar daquele medão que dá na barriga...é como se fosse um eterno se apaixonar, e quando mais eu olho, mais eu me apaixono muitas e muitas vezes. Parece criança em loja de brinquedo! Mas não sei como pegar os brinquedos na prateleira. Tem que ser um brinquedo só, se não o dinheiro não dá.....Ah, dinheiro, que amado inimigo. Por que a gente não pode ser pago para aprender para o resto da vida, para se encantar, para abrir uma porta nova todo dia, para se redescobrir a cada minuto? Que difícil essa história de ter que escolher UMA coisa só no mundo inteiro que vai te sustentar, UMA coisa só para “ser”. Mas como assim, ser? Não tenho que ser nada , eu já sou eu, prazer! – Não, não, você não pode ser tudo, tem que ser uma coisa só! Ou você é médico, ou advogado, ou professor, ou engenheiro, ou bailarino, ou astronauta.  O mundo vai virar uma loucura se você for médico astronauta bailarino! Imagina, seus pacientes vão viver no dançando no mundo da Lua! A não ser que você seja psiquiatra para resgatar seus pacientes do mundo da Lua....

            Mas aí, às vezes, quando me sinto na deriva de mim mesma, perdida entre um monte de pedacinhos de mundo, eu consigo fazer alguma coisa bonita. Às vezes, bem às vezes, a angústia de achar um só lugar no mundo dá lugar para imaginação e pego todos os meus pedacinhos, juntos com todos os pedacinhos do mundo que eu amo e jogo tudo dentro do caleidoscópio. E que coisa bonita esse tal de caleidoscópio hein? Jogo-me no chão e fico horas a girá-lo e a imaginar os milhares de pedacinhos formando os mais belos desenhos: Atriz bióloga engenheira, bióloga recicladora cineasta, cantora pintora bióloga, escritora cantora engenheira fotógrafa professora.....



            Para mim tudo tem a ver com tudo, por isso que é tão difícil pegar uma coisa só! A Biologia tem tudo a ver com arte, porque é a mais pura arte da vida, reciclar pelo meio ambiente, a música comunica onde as palavras não alcançam para falar de coisas complicadas de maneira simples, como a própria ciência, as lentes da câmera mostram olhares que nossos olhos não enxergam e nos permitem conhecer o mundo de formas que jamais imaginamos, formigas viram elefantes, baleias viram formigas na imensidão do oceano e nós viramos pó na imensidão do universo...Para mim, sem a parte não se entende o todo... e sem todo não se entende a parte...Mas como encaixar isso tudo numa vida prática com contas para se pagar, já que nem só se sonho vive o homem?  Onde é preciso ser especialista? Não se pode se especializar em tudo, só se eu vivesse 195 mil anos...Quem tiver a resposta, eu dou uma balinha sete belos. Tá bom, um saco de balinhas sete belo.
            Na verdade, acho que a explicação mais plausível pra isso tudo é que ainda não cresci. Ao invés de ter 26 anos, tenho 6 e ao me perguntarem o que eu quero ser, eu ainda respondo: bailarina, astronauta e veterinária....



( Tudo bem, eu realmente não cresci. No quesito estatura eu tenho 13....)

Um comentário:

  1. Excelente desabafo.

    Agora, sinto-me inspirado para tirar minhas pseudo-loucuras do papel e colocá-las à tona, no mundo físico. E te falo, salamandra, você está curtindo as escolhas que fez em um passado recente. O fato das pessoas opinarem muito, comprometem nossas novas escolhas. Mas e aí, vou ser padeiro até que a morte do corpo me separe? Ou posso ser padeiro, jardineiro, e dançar butoh?
    Ritalina ajuda, naquele determinado momento, naquele determinada atividade.. mas não na vida. Foque no papel picotado e pinte com suas cores. Sente-se no gira-gira.. sinta o vento nos teus cabelos.. a brisa do vento.. tá frio? tá quente? Olhe pra cima.. o céu tá azul? seus pé cavam a areia no chão? Abrace uma árvore, em seguida.

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